Roubo de carga em comboio passa de 200 milhões de dólares nos EUA
O roubo de carga nos Estados Unidos já não se faz só na autoestrada. Segundo a TT News e a Bloomberg (17 de agosto de 2026), os furtos em comboios de mercadorias norte-americanos ultrapassaram 75.000 incidentes e 200 milhões de dólares em perdas em 2025. Gangs organizadas escalam vagões e saqueiam contentores em nós ferroviários como Chicago, Los Angeles e Memphis.
O comboio como alvo
O modus operandi é simples e lucrativo: os ladrões aguardam perto de um terminal, trepam aos vagões — como num caso CSX junto a Memphis, a partir de um Kia Soul preto — partem os cadeados dos contentores e levam o que tem valor. Num só assalto a um comboio BNSF foram subtraídos 1.985 pares de ténis Nike ainda não lançados, avaliados em mais de 440 mil dólares; em Los Angeles, a polícia recuperou 1,5 milhão de dólares em carga roubada.
Menos roubos, prejuízos maiores
O padrão repete o do transporte rodoviário: há menos incidentes, mas cada um custa uma fortuna. O relatório Verisk CargoNet do 2.º trimestre de 2026 aponta 677 furtos de carga (menos 26% ano-a-ano) mas 304,6 milhões de dólares em prejuízos — mais do dobro do período homólogo. Os criminosos trocaram o volume pelo valor, e o valor anda nos data centers, nos comboios e nas paletes de alto custo.
Como travar: visibilidade e proveniência
A resposta técnica funciona. A CSX reduziu os furtos na zona de Memphis em 80% depois de reforçar videovigilância por IA, barreiras e parcerias com a polícia. Mas a defesa estrutural não é só cercar o terminal: é garantir que cada contentor e cada palete têm uma proveniência que ninguém pode alterar depois de fechado.
A proveniência viaja com a carga
Quando se consegue provar, em tempo real, que um contentor foi aberto, onde e por quem, o roubo deixa de ser um negócio sem risco. A UE está a tornar obrigatório o registo digital de origem, materiais e cadeia de custódia — e quem já prova a proveniência do hardware e da mercadoria hoje lidera quando a regra for lei.